Publicações 2016


Publicado em 31 de Agosto de 2016

Discordar pode. Desautorizar não pode.

Esse é um dos maiores problemas na educação dos filhos. Veja como o casal deve proceder e evitar conflitos.
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Cada família tem sua criação e seus valores. Quando um casal resolve ter uma vida em comum as diferenças aparecem. Quando resolvem ter um filho, então, os valores a serem passados para essa criança parecem mais diferentes ainda.

Esse é o ponto onde queremos chegar: os pais podem, sim, discordarem em alguns assuntos. O problema começa quando um deles desautoriza o outro na frente do filho.

A discordância entre os pais é saudável para a criança se esta vê que os pais conseguem conversar e chegar a um consenso. O filho percebe que com uma boa conversa, cada um cedendo um pouquinho, ouvindo os argumentos da outra pessoa, se chega a um ponto em comum e tudo se resolve.

O que deixa a criança perdida e sem limites claros é o casal onde a discordância se transforma em desautorização.

É o caso onde a mamãe não deixa o filho passear no parquinho porque tem que fazer a lição de casa. Mas aí chega o papai do trabalho e autoriza a criança ir ao parquinho sem consultar a mamãe ou por achar que mesmo sem ter feito a lição a criança pode brincar. Isso cria um nó na cabeça da criança na questão do “até onde vai o meu limite”.

A criança, principalmente dos três aos cinco anos, vai testar os pais até conseguir o que quer. Ela se aproveita dessas situações para alcançar seu desejo.

Se descobrir que com o papai é mais fácil, espera a mamãe sair de perto e pede o que quer para o papai. Se a mamãe é mais “coração mole”, o pedido vai esperar o papai sair. Agora, se é chorando ou fazendo um pouco mais de birra ela consegue o que quer, pois é assim que a criança vai agir.

O que fazer? – O ideal é que os limites básicos a serem passados para a criança devam ser discutidos antes entre o casal e depois serem transmitidos para o filho, como doces antes das refeições, hora da lição de casa, passeios, programas de televisão que os pequenos poderão assistir, entre outros.

Se houver uma situação inusitada onde ainda não há um consenso, o melhor é conversar antes de dar uma resposta à criança.

Se o papai não concordou com a atitude da mamãe, que deixou a criança jogar vídeo game mesmo a criança estando de castigo, ele não deve repreendê-la na frente da criança e, sim, chamá-la para uma conversa longe do filho para chegarem a um acordo e isso não mais acontecer.

Se há discussão na frente da criança, esta percebe que os pais não cedem no seu ponto de vista e vai agir automaticamente assim na sua vida, não abrindo mão dos seus desejos, olhando somente para si.

Não podemos “unificar” pensamentos. Isso é uma utopia e completamente abominável. Mas uma boa conversa pode reparar eventuais desequilíbrios entre os pais, mostrando aos filhos que as pessoas têm pensamentos diferentes, sem desrespeito e ouvindo outras argumentações.

Dicas

O não deve ser não sempre. Se a mamãe ou papai não deixa dormir até mais tarde, nem com birra ou choro a concessão deve ser feita.

Ninguém é perfeito, os pais erram também. Se vir que errou, não hesite em mostrar ao seu filho o erro e peça desculpas.

O exemplo é melhor do que as palavras. Mostrar aos filhos que uma boa conversa resolve tudo é melhor do que somente dizer.

Bruno Rodrigues

Fonte: Guia do Bebê


Publicado em 24 de Agosto de 2016

Banho de Sol: toda criança precisa?

Antes sim, agora não?
Fabi Juanna - annalauraofficial
@annalauraofficial

O “banho de sol” para bebês foi uma recomendação durante décadas. Na maioria das vezes essa recomendação era feita para bebês que tinham icterícia leve ou apenas porque era considerado saudável, mas isso mudou.

Banho de Sol para Icterícia?

A icterícia não é mais tratada com “banhos de sol” mas com “banho de luz” ou fototerapia. Essa fototerapia é realizada na maternidade ou estabelecimento próprio indicado pelo pediatra. O banho de sol não é mais indicado para o tratamento da icterícia porque não há evidências de seu benefício e também porque a exposição ao sol traz mais riscos ao bebê do que o suposto benefício. A maioria das ictericias são leves e regridem sozinhas até o décimo dia de vida do bebê, portanto não há necessidade alguma de banho de sol.

Banho de Sol e os benefícios à saúde do bebê

A maioria das pessoas sabe que o sol é um importante agente na produção de vitamina D, porém ignora os riscos da exposição solar relacionados, principalmente, ao câncer de pele. Sendo o Brasil um país tropical e com altos índices de radiação solar esses riscos são enormes e as consequências graves.

Por conta desse benefício na produção da vitamina D, sempre se ouviu falar que é bom tomar banho de sol, mas isso mudou a partir de 2013 quando a Sociedade Brasileira de Dermatologia publicou o Consenso Brasileiro de Fotoproteção.

O consenso hoje é que ninguém deve tomar banho de sol sem proteção, seja em qual horário for. Ou seja, se vai se expor ao sol a pessoa deve se proteger, seja com cremes ou loções protetoras ou através de roupas e chapéus.

O que fazer então? Deixar o bebê trancado dentro de casa?

Não, seu bebê não precisa ficar trancado dentro de casa, ele poderá fazer passeios diários mas algumas critérios precisam ser observados.

  • Bebê de até 6 meses de idade não pode utilizar filtro solar (cremes ou loções) mesmo que na embalagem esteja escrito que é “kids” ou “baby”;
  • Bebês e crianças não devem ser expostos ao sol entre 10 horas e 15 horas (se for horário de verão, restrição até as 16 horas);
  • Bebês com menos de 6 meses devem ficar protegidos à sombra;
  • Bebês com mais de 6 meses podem utilizar filtro solar (cremes ou loções) preferencialmente os “kids” ou “baby”.
  • O filtro solar deve ser no mínimo FPS 30;
  • O filtro solar deve ser aplicado entre 15 e 30 minutos antes da criança ser exposta ao sol;
  • O filtro solar deve ser aplicado duas vezes, uma seguida da outra, ou seja, você espalha o filtro no corpo e logo em seguida faz uma nova aplicação; E sempre que se passar 2 horas após a última aplicação, aplique novamente o filtro solar; Caso a criança entre na água o filtro solar deve ser reaplicado imediatamente, mesmo que ainda não tenha se passado as 2 horas;
Outras observações:
  • Deve-se estimular o uso de chapéus ou bonés e roupas sempre que a criança for exposta ao sol.
  • Mesmo em dias nublados ou chuvosos deve-se proteger a pele pois os raios UV do sol são capazes de ultrapassar as nuvens.

Mas e a vitamina D, meu filho vai ficar com deficiência dessa vitamina se não tomar sol?

Se o seu filho ficar trancado 24 horas por dia durante semanas dentro dentro de casa, é possível sim que ele tenha uma deficiência de vitamina D, porém esse cenário é improvável.

Os estudos citados no consenso demostram que uma pessoa que se exponha ao sol apenas 2 vezes por semana, por apenas 10 minutos, e ainda por cima somente as mãos e a pele do rosto sejam atingidas pelo sol, já será o suficiente para que o indivíduo tenha a quantidade necessária de vitamina D garantidas.

Percebe-se então que com quase nada de exposição ao sol se obtém o necessário.

Lembrando que essa exposição ao sol deve ser realizado com filtro solar aplicado sobre a pele.

Alternativas ao sol para obter a vitamina D

O consenso defende que as pessoas não devem se expôr ao sol com o objetivo de obter a vitamina D. Mas se o fizer, deve ser feita sempre com o uso de filtro solar.

Como alternativa ao sol existem dietas e suplementos que são capazes de manter os níveis adequados de vitamina D no organismo. Porém isso somente será recomendado pelo médico após exames que detectarão se a pessoa está ou não com deficiência dessa vitamina D.

Mas eu vejo matérias que os médicos falam que devemos tomar o banho de sol sem proteção solar para obter a vitamina D. O que fazer?

O Consenso Brasileiro de Fotoproteção da Sociedade Brasileira de Dermatologia é relativamente recente e portanto ainda vai enfrentar alguma resistência por diversos profissionais, ou seja, muitos médicos e especialistas ainda irão contradizer o consenso, afirmando que se deve tomar o sol sem proteção solar para que se obtenha a vitamina D.

Mas por que então seguir o consenso e não a ideia anterior de sol sem proteção solar para obter a vitamina D?

O que o consenso defende é que ninguém consegue realizar uma proteção solar 100% efetiva, sendo assim, contando com essa ineficiência na proteção solar individual, aquilo que escapa já será suficiente para a produção de vitamina D.

É fácil defender essa tese, uma vez que é raro observar as pessoas se protegerem em dias nublados ou chuvosos. Também é raro as pessoas passarem filtro solar para ir trabalhar, estudar e ainda por cima renovarem a aplicação do filtro a cada 2 horas. Portanto, se expôr ao sol intencionalmente para obter a vitamina D sem proteção solar é desaconselhável.

Mas o que pode acontecer se expor um bebê ou criança ao sol sem proteção?

Poderá ocorrer apenas uma elevação de temperatura da pele até uma queimadura grave. Além disso, a exposição ao sol poderá desencadear algumas doenças de pele e o mais grave de tudo é que ao longo do tempo poderá provocar o câncer de pele.

O que todos nós devemos entender é que o sol tem efeito cumulativo sobre a pele, ou seja, ele causa um dano hoje como uma bronzeamento e depois esse efeito some e parece que a pele se recompôs e aquele dano foi jogado fora, mas não é isso que ocorre. Superficialmente o dano desaparece mas em uma camada invisível ao nosso olho o dano fica marcado. Com exposições ao sol seguidamente durante anos, esses danos vão aumentando provocando desde um envelhecimento precoce da pele até um câncer de pele, portanto a exposição do sol que seu filho é submetido hoje poderá contribuir daqui uns anos para que venha a ter algum problema de pele, simples ou grave.

Então não podemos mais levar nossos filhos à praia?

Poder, pode. Mas com cuidados extremos.

Se o seu filho tem mais 6 meses de idade

De preferência antes das 10 horas da manhã ou depois das 16 horas. Com filtro solar de no mínimo FPS 30. Passar a cada 2 horas ou sempre após ele sair da água. Usar bonés ou chapéus. Manter um guardo-sol aberto.

Se o seu filho tem menos de 6 meses

Não expô-lo ao sol de jeito algum. Deverá estar sempre debaixo de uma sombra. E atenção: a areia da praia reflete o sol, sendo assim, procure uma sobra grande, ou seja, que o bebê fique bem longe da parte onde termina a sombra. Também é importante que esteja com roupa e chapéu ou boné.

Apenas a sombra de guarda-sol não será eficiente para proteger um bebê, por isso é importante o uso de roupas e bonés.

Mas isso não é radical demais? Não se você considerar que estamos falando de apenas 6 meses da vida de seu bebê. Não nos parece que seja mais importante ir à praia com um bebê com menos de 6 meses do que esperar para fazer isso após esse período com maior segurança para ele.

Mas eu vi no consenso que se o Índice de UltraVioleta estiver entre 1 e 2 não é preciso usar nenhum tipo de proteção solar. Isso é verdade?

Sim, é verdade. Porém isso vai depender da cor da pele de cada pessoa e principalmente que essa pessoa verifique todos os dias qual é o Índice UltraVioleta para sua cidade ou região naquele dia.

Fonte: Guia do Bebê


Publicado em 17 de Agosto de 2016

Quando o bebê se torna independente

De repente a criança percebe que pode tomar decisões e a partir desse momento começa a descobrir um novo mundo
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Eugene Partyzan / shutterstock.com

Uma vez que seu bebê perceba que consegue vestir as calças sozinho, abrir a porta, ou comer, certamente ele vai insistir para fazer tudo sem a sua ajuda. E, nem sempre, as tentativas serão bem sucedidas, o que pode provocar a frustração do seu filho e atrasar seus horários. Provavelmente, seu bebê vai resistir a qualquer oferta de ajuda.

Você tem que ter em mente que, como qualquer aprendizado, a prática leva à perfeição. Consiga tempo e paciência extra para deixar seu filho aprender. Tente dar dicas ao invés de fazer por ele. Quando ele teimar em escolher as próprias roupas, não seja tão rígida nas combinações malucas mas deixe claro que uma roupa de festa não deve ser usado para brincar no parque, por exemplo. Ajude-o a ter sucesso comprando roupas fáceis de vestir. Opte, por exemplo, por elásticos na cintura ao invés de botões ou zíperes. Nos sapatos, tente velcro no lugar de cadarços.

Enquanto estiver ajudando seu filho a se virar sozinho, lembre-se que esses pequenos e lentos passos servem para construir a autoestima. Ele aprenderá que trabalhar duro é recompensador e que é preciso de várias tentativas mas o sucesso chega. Deixar que a criança faça suas próprias escolhas, seja na roupa ou no que comer de café da manhã, aumenta a capacidade de decisão.

Mas não se preocupe se seu filho vai de acordo com a maré e não demonstra ainda personalidade forte. Crianças têm temperamentos diferentes e isso precisa ser respeitado. Mesmo que ele não peça, dê opções e chances para ele fazer as próprias escolhas e elogie suas decisões. Elogie também quando a criança demonstrar iniciativa. Isso o ajudará a se tornar um adulto mais seguro.

Paula R. F. Dabus

Fonte: Guia do Bebê


Publicado em 20 de Julho de 2016

Depressão pós-parto

São muitos os fatores que podem levar uma mulher à depressão pós-parto, mas a atenção de todos à sua volta é fundamental para sua recuperação
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ChameleonsEye / shutterstock.com

Com o parto, ocorrem reações conscientes e inconscientes na puérpera e em todo o ambiente familiar e social imediato, que reativam profundas ansiedades. Uma das mais importantes é a revivência inconsciente da angústia do trauma do próprio nascimento: a passagem pelo canal do parto, que inviabiliza para sempre o retorno ao útero e empurra para um mundo totalmente novo e, portanto, temido.

A perda repentina de percepções conhecidas, como os sons internos das mães, o calor do aconchego, enfim, o sentido total de proteção, para o surgir de percepções novas e assustadoras.

A secção do cordão umbilical separa para sempre, o corpo da criança do corpo materno deixando uma cicatriz, o umbigo, que marca o significado profundo desta separação. Assim, no inconsciente, o parto é vivido como uma grande perda para a mãe, muito mais do que o nascimento de um filho. Ao longo dos meses de gestação ele foi sentido como apenas seu, como parte integrante de si mesma e, bruscamente, torna-se um ser diferenciado dela, com vida própria e que deve ser compartilhado com os demais, apesar de todo ciúme que desperta. Sendo assim, a mulher emerge da situação de parto num estado de total confusão, como se tivessem lhe arrancado algo muito valioso ou como se tivesse perdido partes importantes de si mesma.

Tanto quanto na morte, no nascimento também ocorre uma separação corporal definitiva. Este é o significado mais doído do parto e que se não for bem elaborado, pode trazer uma depressão muito mais intensa à puérpera: o parto é vida e também é morte.

Os sintomas do estado depressivo variam quanto à maneira e intensidade com que se manifestam, pois dependem do tipo de personalidade da puérpera e de sua própria história de vida, bem como, no aspecto fisiológico, as mudanças bioquímicas que se processam logo após o parto.

Além das vivências inconscientes em que predominam as fantasias de esvaziamento ou de castração, as mais intensas são as ansiedades de carência materna – quando a puérpera apresenta forte dependência infantil em relação à própria mãe ou ao marido – e as de autodepreciação, quando se sente incapaz de assumir as responsabilidades maternas, e até mesmo inútil, quando não consegue captar a compreensão do significado do choro do bebê para poder satisfazê-lo. Para poder suportar tais ansiedades, inconscientemente, alguns mecanismos de defesa são colocados em movimento, segundo as características pessoais da puérpera.

Dessa maneira, ela pode apresentar-se cheia de uma energia despropositada, eufórica, falante, preocupada com seu aspecto físico e com a ordem e arrumação do ambiente em que se encontra. As visitas são recebidas calorosamente e parece tão disposta, auto-suficiente, como se não precisasse de ajuda externa. Em contrapartida, manifesta alguns transtornos do sono, muitas vezes necessitando de soníferos.

Se o ambiente mais próximo não lhe oferecer carinho e atenções, tal estado pode produzir somatizações, como febre, constipação e outros sintomas físicos. Do mesmo modo, se as fantasias inconscientes não puderem ser contidas, surgem as ansiedades depressivas de modo ocasional ou em acessos de choro, ciúmes, aborrecimento, tirania ou em expressões de autodepreciação e de auto-acusação.

A puérpera, ao contrário da hiperativa, pode apresentar-se com um profundo retraimento, necessidade de isolamento, principalmente se há uma quebra muito grande do que esperava, tanto em relação ao bebê idealizado quanto a si própria como figura materna. A prostração e a decepção com sentimentos de fracasso e desilusão, têm também aspectos regressivos que se somam aos já produzidos pelo parto, com a reatualização do trauma do próprio nascimento, fazendo com que a puérpera sinta-se mais carente e dependente de proteção, como que competindo com o bebê as atenções do meio que a cerca.

A sensação predominante neste caso, é de sentir-se apenas a serviço do bebê, como se nunca mais fosse recuperar sua vida pessoal.

O homem também pode apresentar o quadro de depressão puerperal, embora com menos intensidade. A depressão masculina tem origem nos sentimentos de exclusão diante da díade mãe-bebê. É como se ele se percebesse apenas como uma pessoa provedora que deve trabalhar e satisfazer as exigências impostas pelo puerpério da mulher.

A própria vivência emocional do parto e a possibilidade de decepção quanto ao sexo do bebê, num momento em que todos ao seu redor parecem ocupados demais para lhe dar a atenção que necessita, muitas vezes encontra saída para suas ansiedades, no ambiente externo ao lar. Daí o aumento das atividades e carga horária no trabalho, relações extra-conjugais ou mesmo somatizações com ocorrências de doenças ou quedas com fraturas, para poder também chamar atenção sobre si.

No caso de já existirem outros filhos, estes também sofrerão impactos emocionais, com a ausência da mãe e o medo de perder seu amor em prol do novo membro da família. O modo como demonstrarão tais sentimentos, frequentemente vão desde a regressão, quando solicitam novamente o uso da chupeta, apresentam transtornos do sono, inapetência, voltam a molhar a cama, até mesmo a negação da própria mãe, como se não precisassem mais de seu amor e cuidados. Neste momento, vinculam-se mais fortemente com o pai ou com a pessoa que as está atendendo, fortalecendo na figura materna o sentido de incapacidade, de não conseguir realmente dar conta das antigas e novas responsabilidades, concomitantemente.

É muito difícil determinar o limite entre a depressão pós-parto normal da patológica, chamada de psicose puerperal. A característica principal desta é a rejeição total ao bebê, sentindo-se completamente aterrorizada e ameaçada por ele, como se fosse um inimigo em potencial.

A mulher sente-se, então, apática, abandona os próprios hábitos de higiene e cuidados pessoais. Pode sofrer de insônia, inapetência, apresenta ideias de perseguição, como se alguém viesse roubar-lhe o bebê ou fazer-lhe algum mal. Se a puérpera estiver neste quadro de profunda depressão, sem poder oferecer a seu filho o acolhimento necessário, este também entrará em depressão. As características apresentadas são: falta de brilho no olhar, dificuldade de sorrir, diminuição do apetite, vômito, diarreia e dificuldade em manifestar interesse pelo que quer que esteja ao seu redor. Consequentemente, haverá uma tendência maior em adoecer ou apresentar problemas na pele, mesmo que esteja sendo cuidado.

Se há bloqueio materno em manifestar amor pelo filho, alguém deve assumir a tarefa de maternagem em que o bebê possa sentir-se amado e acolhido, pois sem amor não desenvolverá a capacidade de confiar em suas próprias possibilidades de desenvolvimento físico e emocional.

Neste caso, o psiquiatra deve ser consultado urgentemente e, simultaneamente ao apoio farmacológico, será aconselhada a psicoterapia.

Assim, o ambiente imediato deve estar atento à intensidade da depressão apresentada pela puérpera, no sentido de que se não puder proporcionar a segurança e a paz que ela necessita, possa pelo menos aconselhá-la a procurar ajuda profissional neste momento de crise.

De qualquer maneira, em quaisquer desses estados apresentados, é comum e esperado, na puérpera, a ocorrência de ideias depressivas e persecutórias, o retraimento e o abandono ou a hiperatividade, sem chegar ao nível alarmante da psicose puerperal. O próprio estado regressivo em que se encontra contribui para o surgimento de tais sintomas.

Assim, se a família e os amigos colaborarem de modo satisfatório, proporcionando confiança e segurança à puérpera, principalmente no tocante às atividades maternas, sem críticas e hostilidades, mas com compreensão e carinho, acolhendo-a nos momentos de maior fragilidade emocional, a depressão pós-parto vai diminuindo de intensidade até se transformar em carinho pelo bebê e respeito pelo ritmo de seu desenvolvimento e progresso.

Até alguns anos atrás, quando as famílias eram mais numerosas, era comum o filho mais velho cuidar do mais novo e, desta forma, quando tinham seus próprios filhos, sentiam-se mais capacitados e seguros em assumi-los. Hoje em dia, é mais difícil passar por esta experiência, já que todos na família saem para trabalhar muito cedo e o número de filhos ter diminuído consideravelmente. Para suprir tal carência de aprendizagem, algumas maternidades estão implementando o sistema de alojamento conjunto, para que possa proporcionar à gestante a experiência real e supervisionada com seu bebê, o que facilitará a formação do vínculo precoce entre eles.

A Psicologia da Gestante surgiu, então, com o propósito de fornecer não apenas informações cognitivas mas, principalmente, permitir que a gestante possa expressar livremente seus temores e ansiedades, a fim de ter assistência e orientação psicológica para enfrentar as diversas situações de maneira mais adaptativa, realista e confiante. Trata-se de um trabalho preventivo, se tiver início junto com o acompanhamento médico pré-natal e/ou de suporte ante a crise, no caso da depressão pós-parto já instalada.

Ana Maria Morateli da Silva Rico
Psicóloga Clínica

Fonte: Guia do Bebê


Publicado em 13 de Julho de 2016

Pensando no quarto do bebê

Designers de interiores falam sobre alguns pontos para facilitar o processo

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A chegada de uma criança na família é sempre especial. Por isso, planejar o quarto para o bebê é importante e ajuda para que ele e a mãe adaptem-se mais fácil a essa nova etapa.

De acordo com a designer de interiores Adriana Lyra, do escritório A Design de Interiores, ter a ajuda de um profissional é ótimo porque pode economizar uma grande dor de cabeça. “Existem pessoas que acham que é um desperdício de dinheiro contratar um profissional de design de interiores para essa orientação. Mas é o contrário disso, essa ajuda pode facilitar muito, pois o designer terá o cuidado de fazer um projeto que atenda todas as necessidades da mãe e do bebê.”, afirma.

Assim, Adriana listou três fatores que fazem total diferença na hora de montar o quarto do bebê. Confira:

  1. Iluminação
    A iluminação de um quarto é essencial, ainda mais para um bebê. “É sempre importante ter opções de iluminação, como uma luz fraca para amamentar e uma luz mais intensa no momento das trocas de fraldas. Além disso, sempre aproveitar a luz solar, luz natural escolhendo bem o tipo de cortina que será usado ajuda bastante. Mas o mais importante é que o ambiente fique confortável para a mamãe e para o bebê”, conta a especialista.
  2. Móveis
    É sempre bom que o quarto para um recém-nascido seja prático, com os móveis essenciais, como berço, poltrona de amamentação ou cama auxiliar, uma cômoda e armário. Uma preocupação para quando as crianças já estão um pouco maiores são as quinas e cantos dos móveis e para evitar acidentes, temos hoje no mercado vários protetores macios e que podem ser usados e depois retirados dos móveis quando não forem mais necessários. Ter espaço livre para um tapetinho e brinquedos no chão também costuma ser interessante. Pequenas prateleiras com alguns livrinhos, bonecos são bastante usados, mas sempre com a preocupação de serem de fácil limpeza.
  3. Cores
    Já é comprovado que as cores influenciam nas emoções. Assim, elas também fazem toda a diferença na decoração de um quarto. “O clichê é que, quando é menina, o quarto será rosa e, quando menino, azul. Hoje saímos um pouco disso. Cores mais neutras e suaves podem trazer uma sensação tranquilidade ao ambiente e damos toques coloridos em pequenos objetos ou em uma parede para alegrar o espaço.”

Thais Merçon, sócia de Adriana no escritório, diz que é preciso entender a dinâmica da família para planejar o quarto de um bebê, pois cada família é única e por isso devem ser atendidos com suas especificidades. “Cada caso é um caso. Por exemplo, tem famílias que vão ter que dividir o quarto entre o bebê e uma criança mais velha ou que vão mudar um escritório para fazer um quarto naquele espaço. Por isso é sempre bom contar com a ajuda de alguém especializado, para que tudo saia de acordo com as expectativas e dentro dos prazos e orçamentos”, finaliza.

Adriana Lyra e Thais Merçon

Designers de Interiores

www.adesigndeinteriores.com.br


Publicado em 15 de Junho de 2016

O amadurecimento natural da criança, o estímulo saudável e o excesso – Qual o limiar?

Acelerar ou queimar etapas no desenvolvimento das crianças parece que virou obsessão dos pais atualmente. Isso é certo ou errado?

Hoje gostaria de provocar uma reflexão.

O mundo contemporâneo oferece muitos recursos e tecnologias para estimular os pequenos. Não que isso seja ruim. O problema é que pais excessivamente preocupados com o futuro de seu filhos, futuros empreendedores, empresários, pesquisadores sempre em topos de rankings (sim, porque não há outra opção para eles certo?) acabam pecando pelo excesso. Crianças têm seu tempo. O fato de serem inteligentes (sim, elas são) não pressupõe que precisam vestir-se como adultos, agir como adultos e ter agendas de adultos.

Uma criança com extrema inteligência, que aprende por si só a ler e escrever aos quatro anos, por exemplo, não significa, necessariamente, que esteja amadurecida nas outras áreas também. O impulso, neste caso, dos orgulhosos progenitores é ir à escola, à diretoria de ensino ou ao MEC para obter uma autorização para que aquele pequeno gênio possa pular etapas e quem sabe entrar aos quinze anos na universidade. Para quê?

É preciso ter um olhar holístico e compreender a criança como ela é, quais seus canais mais responsivos e perceptivos, quais desafios podem provocá-la a buscar mais, sem se esquecer que ela ainda é uma criança.

Um bebê não irá andar se colocá-lo em pé aos dois meses de idade. Um pré adolescente de catorze ou quinze anos não irá desempenhar um papel de universitário sem o detrimento de relações sociais e uma vida emocional saudável. Uma banana amadurecida à força, no forno, jamais terá o sabor de uma banana amadurecida naturalmente. Sempre que discorro sobre este assunto lembro-me de um texto, de autor desconhecido, cujo recorte copio a seguir.

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A Lição da Borboleta

Um dia uma pequena abertura apareceu em um casulo. Um homem sentou-se e observou a borboleta por várias horas e pensou: como ela se esforça para fazer com que seu corpo minúsculo passe através daquele pequeno buraco!

De repente, o homem percebeu que a borboleta parou de fazer qualquer movimento. Não havia progresso na sua luta. Parecia que já tinha lutado demais e não conseguia vencer o obstáculo. Então, o homem resolveu ajudá-la. Pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta saiu facilmente. Mas, ele percebeu que seu corpo estava murcho e suas asas amassadas. O homem continuou a observar a borboleta porque esperava que a qualquer momento as asas se abrissem e, firmando-se, pudessem suportar o peso do corpo. Mas nada aconteceu!

Ao contrário, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com o corpo murcho e as asas encolhidas. Nunca foi capaz de voar porque o homem, na sua gentileza e vontade de ajudá-la, não compreendeu que era o aperto do casulo que fazia com que a borboleta se esforçasse e assim se fortalecesse para passar por meio da pequenina abertura […]”.

Crianças, apesar dos tempos modernos e das novas tecnologias, continuam sendo crianças que precisam de tempo, afeto, brincadeiras e muita fantasia.

Há idade para tudo. A infância passa rápido, é mágica, rica e efêmera. As crianças terão toda uma vida para serem adultos responsáveis e cheios de compromissos. Permitam um desenvolvimento estimulante e lúdico  a elas e certamente estarão plantando uma vida saudável, feliz e com muita perspectivas, cujo rumo e escolhas  por elas serão descritos.

Karen Kaufmann Sacchetto
Mestre em Distúrbios do Desenvolvimento, Especialista em Distúrbios de Aprendizagem, Psicopedagoga, Pedagoga

Fonte: Guia do Bebê


Publicado em 08 de Junho de 2016

Botões, clips, alfinetes… e se meu filho engolir?

O engasgamento é uma ocorrência de urgência e o procedimento deve ser específico, por isso, o melhor é evitar esse tipo de acidente

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Os acidentes domésticos, principalmente quando nossos filhos estão ainda nos primeiros anos de vida, são motivos de preocupação constante e exigem cuidados e vigilância permanentes. A partir do primeiro ano de vida, o pequeno, que antes ficava a maior parte do tempo no berço, no colo de alguém ou em espaços restritos, começa a ampliar seus horizontes.

Assim, a criança assume, gradativamente, uma posição ativa, sua habilidade muscular aumenta e é natural que o interesse pelo mundo que a rodeia torne-se cada vez maior. A partir daí, os riscos de acontecerem acidentes na infância crescem de maneira proporcional.

Por isso, prevenir é o melhor que se pode fazer. Essa é a opinião da pediatra Márcia Rodrigues, que reforça os graves danos que acidentes domésticos podem trazer, até com sequelas permanentes, para a vida do seu filho.

Estatísticas da Sociedade Brasileira de Pediatria mostram que mais de 90% dos acidentes ocorridos em casa com crianças entre zero e seis anos poderiam ser evitados. Para prevenir este tipo de problema, o ideal étirar do alcance dos bebês tudo o que houver possibilidade de ser levado à boca, como peças de brinquedos, botões e bicos de chupetas.

Outro cuidado importante é procurar brinquedos grandes, resistentes e sem pontas finas e salientes. Evitar roupas com botões e testar sempre as chupetas, verificando se as partes que a compõem não se soltam, também são dicas relevantes.

Quando a criança começar a crescer, os perigos passam a ser chicletes, pipocas, balas, caroços, pirulitos e moedas. Para evitar que a garotada engula e engasgue com os objetos, a saída é guardar as guloseimas trancadas e longe do seu alcance. Também é aconselhável manter as moedas fora de circulação.

A pediatra alerta para um erro cometido pelos pais quando algum acidente desse tipo acontece. Segundo ela, em caso da criança engolir algum objeto que possa obstruir sua laringe, nunca se deve enfiar o dedo na boca dos pequenos.

Em caso da criança engolir e engasgar, ligue imediatamente para o telefone 192.

Os procedimentos para desengasgar um bebê são diferentes de uma criança, e por isso, o melhor a fazer é ligar para o 192 e aguardar as instruções adequadas para cada caso.

Bruno Rodrigues

Fonte: Guia do Bebê


Publicado em 15 de Janeiro de 2016

Material Escolar

Anote as dicas do Idec sobre compra de material escolar

Reaproveitar material em bom estado, pesquisar preços e antecipar as compras são lições fundamentais para economizar. Veja também o que a escola pode e o que não pode exigir.

(Atualizado em: janeiro 2016)

Antecipar a compra de material escolar é um passo fundamental evitar preços mais altos e longas filas nas papelarias, tão comuns no período de volta às aulas.

Antes de ir às compras, é importante que o consumidor fique atento às exigências feitas pelas escolas, pois não é raro haver abusos. Para fugir dos problemas, confira as dicas do Idec sobre a compra do material.

Na papelaria:

– Antes de ir à papelaria, verifique os itens que o seu filho usou no ano passado; os que estiverem em bom estado podem ser reutilizados. Estojo, tesoura e dicionário, por exemplo, normalmente duram bastante.

– Organizar um bazar de trocas de artigos escolares em bom estado entre amigos ou vizinhos, por exemplo, também é uma alternativa para gastar menos.

– Pesquisar é muito importante! Compare marcas e estabelecimentos e fique atento, principalmente, aos preços dos livros didáticos, que costumam pesar mais no bolso. Pode valer a pena comprá-los diretamente da editora.

– Outra opção para a compra de livros é pesquisar em sebos, inclusive pela internet, como na Estante Virtual. Costuma ser bem mais barato.

– Para economizar um pouco mais, a dica é reunir um grupo de pais para ir às compras, pois no atacado é sempre mais barato.

– Evite artigos sofisticados, com características de brinquedo, ou com personagens infantis licenciados. Além de mais caros, eles podem distrair a atenção da criança na aula.

– Preste atenção à embalagem dos materiais: devem conter informações claras e precisas a respeito do fabricante, importador, composição do produto, condições de armazenagem, prazo de validade e se apresentam algum risco ao consumidor.

– Na hora de pagar, lembre-se que o preço praticado no cartão de crédito deve ser igual ao cobrado à vista e exija nota fiscal detalhada, com discriminação do produto adquirido: sua marca e preço individual e total.

Atenção à lista do colégio

– O estabelecimento de ensino não pode solicitar produtos de uso coletivo, como os de higiene e limpeza, na lista de materiais.

– A escola também não pode exigir marcas ou locais de compra específicos para o material, tampouco que os produtos sejam adquiridos no próprio estabelecimento de ensino. A regra só não vale para artigos que não são vendidos no comércio, como é o caso de apostilas pedagógicas próprias do colégio. Fora essa situação, a exigência de compra na escola configura “venda casada” e é expressamente proibida pelo artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor (CDC).

– A instituição só pode recomendar que a criança não reutilize um livro usado por um irmão mais velho, por exemplo, se estiver desatualizado. Caso o conteúdo esteja adequado, não há problema algum em reaproveitar o material.

Fonte: Idec


Publicado em 11 de Janeiro de 2016

Calendário de Vacinação do Ministério da Saúde do Brasil

Esse é o calendário de vacinas atualizado oferecido pelo Ministério da Saúde do Brasil e disponível em todo território nacional.

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Esse é o esquema de vacinação utilizada pela maioria da população brasileira.

Essas vacinas são encontradas nos postos de saúde de todas as cidades brasileiras e não devem ser cobradas, ou seja, você não deve pagar nada por elas.

Em caso de dúvida, consulte o pediatra de seu filho.

Serviço Gratuito do Guia do Bebê

Você pode criar uma Carteira de Vacinação do Guia do Bebê que utiliza esse mesmo esquema de vacinação. E sempre que a data de vacinar o seu filho se aproximar, é enviado um email para lembrar você desse importante compromisso.
Clique aqui para criar uma Carteira de Vacinação.

Vacina contra a gripe

A vacina contra a gripe não está no calendário porque ela é oferecida em campanhas todo ano sempre antes do inverno. Nessa época, gestantes e crianças na faixa etária entre 6 meses e menores de 5 anos anos de idade deverão ser vacinadas.

Em caso de dúvida sobre as vacinas ou onde vacinar ligue para o DISQUE SAÚDE 136 Ouvidoria Geral do SUS – (Ministério da Sáude – Brasil)

Alerta:  Mesmo a criança tendo recebido as vacinas contra a poliomielite (vírus inativados) ela também deverá receber a vacina contra a poliomielite (atenuada) oferecida nas campanhas nacionais de vacinação.

Observação: Algumas vacinas podem ser aplicadas em intervalos flexíveis, como por exemplo, uma determinada vacina pode ser aplicada entre 12 e 15 meses de idade, com isso, poderá haver diferença entre as datas que informamos aqui e as datas que os postos ou clínicas adotarão.

O Calendário de Vacinação Infantil pode mudar a qualquer momento.

Fonte: Guia do Bebê


Publicado em 06 de Janeiro de 2016

Comendo sozinha

Não devemos tirar da criança o prazer de descobrir como comer, e até o prazer de brincar com a comida.

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A criança come por prazer e para satisfazer uma necessidade básica: a fome. Mas algumas olham para o prato de comida sem demonstrar interesse, como uma obrigação difícil de cumprir, exigindo da mãe muita inventividade e paciência para fazer com que ela aceite comer qualquer coisa. Por quê? Porque, em algum momento do seu desenvolvimento normal, perturbaram a sua satisfação de comer.

Isso pode acontecer de muitos modos.

Bebês raramente recusam comida e é sempre evidente o prazer que eles têm mamando. A não ser por doença, bebês têm sempre apetite e comem prazerosamente. O adulto é que costuma interferir no hábito que a criança tem de comer e beber com prazer, criando problemas para a alimentação da criança pequena.

falta de apetite (anorexia) ocorre geralmente quando a criança tem entre 1 e 3 anos. As causas mais frequentes:

Falta de percepção da mãe. A criança com 1 ano tem apetite muito menor que o bebê. É uma programação genética. No primeiro ano de vida o bebê triplica de peso. Entre 1 e 2 anos precisa aumentar de peso apenas 20% (passa de aproximadamente 10 quilos para 12. Há meses em que não aumenta de peso e isso é normal, mas as mães, habituadas com o crescimento do bebê, pensam logo em doença e forçam a alimentação. É um erro, que pode provocar reação. E quanto maior for a insistência da mãe, mais a criança se sente agredida e mais vai reagir, até recusar-se a comer.

Quando essa mesma criança, na puberdade, precisar comer mais e realmente passar a fazê-lo, a mãe provavelmente vai criticar.

Quando a preocupação da mãe é muito grande, alguns médicos chegam a receitar um tônico, um remédio para aumentar o apetite da criança. É um erro, porque a receita vai aumentar na mãe a convicção de que a falta de apetite é uma doença. De mais a mais, muitos dos estimuladores de apetite são perigosos, provocam hipoglicemia, sonolência ou agitação. Nenhum livro sério de medicina recomenda esse tipo de remédio, mas eles são muito prescritos e vendidos no Brasil.

Outro problema é que os resfriados e as gripes são muito comuns nesse período, e eles fazem diminuir o apetite. Quando a criança fica curada, depois de três a sete dias, ela tem fome acima do habitual, durante alguns dias. É uma compensação, para que ela recupere rapidamente o que perdeu, e logo ela volta ao apetite habitual.

Também é uma fase em que algumas crianças movimentam-se pouco, principalmente as que são extremamente entregues aos cuidados da televisão. A criança nessa idade deve ter a oportunidade de viver ao ar livre, de correr, jogar bola, praticar exercícios físicos. Aí sim ela tem fome. Mas sedentária, sentada diante da televisão, não só vai comer menos como vai querer comer aquelas coisas anunciadas na tevê, geralmente as menos interessantes como alimentação infantil.

Crianças pequenas, mesmo sem capacidade de fazer os movimentos necessários para recolher a comida com a colher e leva-la à boca (o que exige controle fino dos movimentos), querem comer sozinhas. Isso deve ser incentivado, mesmo que elas façam muita sujeira. Alimentar-se sem a ajuda do adulto significa, em um primeiro momento, deixar que a criança meta a mão no prato, que se lambuze, que faça sujeira, e poucos adultos tem paciência para aturar. Eles querem que ela coma o que lhe dão na boca ou que, como em um passe de mágica, aprenda logo a segurar a colher direitinho e controle seus movimentos em direção à boca. Mais ainda: querem que ela seja rápida e que não deixe cair comida.

Comer sozinha é uma conquista importante para a criança, e não só do ponto de vista do desenvolvimento da sua capacidade manual. Comer pela própria mão é o começo da autonomia, da independência, da sua afirmação como pessoa. E é um prazer. Pois é exatamente esse prazer que a maioria dos pais nega a seus filhos.

Se a criança é reprimida, não tem liberdade, e se insistem em dar comida na sua boca, os pais estão tirando também o prazer e a aventura de comer. Se, além disso, a obrigam a comer do que não gosta, ela não pode mesmo ter prazer com a refeição e vamos começar a ter problemas na hora da comida porque é bem provável que, nesse caso, se desinteresse pelo prato e até se recuse a comer, pelo menos na hora em que a mãe quer que coma.

Quando a criança demonstra interesse e vontade de comer sozinha, deve ser incentivada e não ser reprimida. E se quer comer com as mãos, que coma, porque isso dá a ela muito prazer (como a nós, com determinados pratos). Podemos, gradativamente, ir desencorajando a criança de comer com as mãos, educando-a e fazendo com que ela entenda que certas coisas podem e até devem ser comidas com o uso das mãos, mas que os talheres foram criados para não sujarmos as mãos.

Cuidado: não insista muito no assunto limpeza, porque a preocupação excessiva com a sujeira pode tirar o prazer que a criança tem ao comer. Como escrevia Rubem Braga, comer manga com garfo e faca, civilizadamente, não dá prazer. “Manga come-se com as mãos, e quanto mais lambuzada a boca, maior o prazer“.

Uma criança pequena não pode “comer como gente grande” e a fase da sujeira vai passar, naturalmente, à medida que ela ganha controle sobre os movimentos e vê como é que a família se porta à mesa. Se ela quer comer sozinha é que já está intelectualmente madura para isso. Impedi-la de comer pelos seus próprios esforços é retardar seu desenvolvimento. E se você não tem certeza de que dar de comer na boca pode tirar o prazer da comida, faça a experiência: espere estar com fome, escolha um prato de que goste muito e, na hora de comer, faça com que suas mãos sejam amarradas e que alguém lhe dê de comer na boca. Uma grande parte do prazer de comer estará perdido.

Não devemos tirar da criança o prazer de descobrir como comer, e até o prazer de brincar com a comida. Quando vovó dizia que “comida não é brinquedo” não tinha a informação que temos hoje. A criança que tem mais liberdade, que faz mais sujeira, que brinca mais, aprende mais cedo a comer direito, porque praticou mais. E, não sendo reprimida, não perdeu o prazer de comer, que é um dos maiores prazeres da vida.

Quando não come, a criança pequena não está apenas recusando o alimento. A comida, para ela, é um símbolo e ela não quer a comida porque também não quer aceitar a tirania, a imposição, a limitação, e quer de volta o prazer de comer. Se a mãe insiste, a criança aumenta a resistência e rejeita não só a comida, mas a própria mãe. As mães, talvez por instinto, sentem isso; daí a angústia que passam quando a criança não quer comer ou resiste à comida.

O pior acontece quando pais autoritários obrigam a criança a comer, a “engolir tudo”, sob ameaça de castigo e até de pancada. Podem resolver o problema do momento, mas estão criando outros, maiores. Inclusive porque essa comida não faz bem à criança. Em alguns casos ela chega à vomitar.

Quando a criança percebe que há uma crise, quando os pais ficam angustiados e demonstram sua agonia, quando a hora da comida passa a ser um drama familiar, a criança dificilmente vence essa fase. Ao contrário, o problema pode fixar-se perigosamente, até porque a criança aprende a usar a comida como uma arma, como instrumento para levar vantagem, criando uma relação familiar muito ruim. Assim como o adulto não deve chantagear a criança, não deve dar oportunidade para que ela o chantageie.

Ameaças, castigos, prêmios e promessas, gracinhas e brincadeiras, tudo serve para encobrir, para disfarçar o problema, mas não resolve a situação. O que resolve é dar liberdade à criança e, se a crise já está instalada, deixar que a criança resolva por si mesma. Quando a criança percebe a ansiedade dos adultos em relação à comida, já não vê o que come como um prazer e passa a associar comer com dever, uma obrigação capaz de levar os adultos aos papéis mais ridículos e até a violência para fazê-la engolir. É evidente que isso só traz prejuízos.

Por outro lado, elogios exagerados à criança que comeu tudo podem levá-la a imaginar que só será amada se limpar o prato todas as vezes, o que provoca angústia e talvez faça com que coma demais, para ser mais amada.

Quando a inapetência ou a voracidade tem origem emocional, a primeira coisa a fazer é quebrar a tensão e a angústia que perturbam a criança. Nada de drama, de forçá-la, de castigá-la, de chantageá-la ou de suborná-la, porque só vamos agravar o problema, um problema que geralmente não existe e que os adultos é que criam para as crianças.

Em raros casos a crise pode chegar a um ponto que impeça a criança de comer. Aí, só o atendimento especializado de um psiquiatra pode resolver o problema da criança e dos pais.

Há mães que resolvem fortalecer o alimento, influenciadas principalmente pela publicidade. E tome achocolatado no leite, sorvetes com cobertura especial e sucos com aditivos. Como a criança gosta dessas coisas e seu apetite não aumentou, pode acabar reduzindo sua alimentação a apenas isso. É possível que engorde, mas vai ficar carente de sais minerais, de vitaminas e de outros elementos nutritivos, evidentemente prejudicada no seu desenvolvimento normal.

Outras cuidam de dar suplementos proteicos e vitaminas, geralmente misturados ao leite. Ou reforçam o leite de vaca com leite em pó. O resultado é que, como defesa do organismo contra o excesso de proteína, a criança não vai suportar comer carne e isso poderá criar problemas para ela. Além disso, o excesso de vitamina pode intoxicar e tirar o apetite.

A hora de comer deve ser tranquila, sem dramas ou comédias, sem tensão, bate-boca ou cara feia. Amor, liberdade, respeito ao paladar e ao prazer de comer, ao direito de aprender e comer sozinha e de relacionar-se com a comida, tudo isso ajuda a criança a não ter problema na hora das refeições.

Se seu filho está dentro do padrão de crescimento esperado para a sua idade e para a estatura dos pais, não invente, não se preocupe, deixe a criança comer em paz. A criança que não tem doença, que tem todos os alimentos à disposição, filha de pais baixos, é baixa e come menos porque é assim que está geneticamente programada. Ela come pouco porque é baixa, e não o contrário. É diferente da criança pobre que não tem acesso aos alimentos, que come pouco e que pode ficar baixa por conta da miséria, da falta de comida e não da programação genética.

No mais, mesmo preocupada porque a criança não come, não aumente a crise: comer é uma necessidade básica e o instinto de sobrevivência da criança é tão forte que ela normalmente não corre perigo e em algum momento vai se alimentar, assim que estiver livre de pressão ou distante dos pais. Como se dizia antigamente, quem não come é porque já comeu ou ainda vai comer.

Criança gorda não significa criança nutrida, pelo contrário, há vários casos em que uma pessoa gorda está desnutrida.

Denise Donadio Castilho

Fonte: Guia do Bebê


 

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